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Estresse e desejo extremo podem causar gravidez psicológica

O aparecimento dos primeiros sintomas de uma gestação, como enjoos e desejos, a interrupção da menstruação e as mudanças físicas geralmente vêm acompanhados de muita alegria e preparativos para receber o bebê que está a caminho. Mas, em alguns casos, esses sintomas semelhantes ao de uma gravidez indicam um quadro do que a medicina chama de pseudociese.

Também conhecida como gravidez psicológica, a pseudociese é uma manifestação clínica relacionada a conflitos emocionais, explica Maria de Fátima Resende Francisco, especialista em psicologia obstétrica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os sintomas são o de uma gestação comum e, em alguns casos, a mulher também sente o que seria o movimento do feto na barriga.

A descoberta do problema ocorre quando a mulher procura o médico para iniciar o pré-natal. “Ela faz exames de sangue e de ultrassom e não há nada. O útero está vazio e ela não consegue acreditar nisso. Ela continua acreditando que está grávida, porque apresenta todos os sintomas”, conta Maria de Fátima.

Esse quadro pode acontecer em mulheres de qualquer idade e geralmente está associado ao histórico emocional, pressão social e religiosa, ou ao estresse profundo relacionado ao desejo de ser mãe. “Isso está relacionado à história pessoal de cada mulher e à história afetiva que ela tem. Tudo isso faz com que ela entre num estresse profundo. O desejo de estar grávida se torna tão intenso que acaba acontecendo, só que na forma de pseudociese”, aponta Maria de Fátima.

Cada paciente apresenta um motivo que pode desencadear uma gravidez psicológica. “Não existe uma idade específica”, diz. “Já atendi mulheres que os filhos estão crescidos, mulheres com infertilidade, que têm abortos recorrentes, jovens, e outras pressionadas pela religião, que acreditam que uma mulher sem filhos não é aceita”, relata.

O tratamento
Na maioria dos casos, existe um atraso no início do tratamento, uma vez que a paciente demora para aceitar que não está grávida. “Ela não acredita naquele médico, vai a outros até que algum encaminhe para um psicólogo. É um momento muito difícil, porque ela sente que está grávida, usa roupas de grávida, sente o bebê mexer, esta feliz por isso e, de repente, alguém diz que não tem nada no seu útero”, comenta Maria de Fátima.

O tratamento é feito com acompanhamento de um médico e de um psicólogo. “Demora entre 3 e 4 meses, e os sintomas vão desaparecendo progressivamente. É um ‘trabalhinho de formiga’, porque tentamos fazer com que a paciente traga todas essas emoções que ficaram guardadas, de raiva, de ódio, de alegria, e tentamos entender por que há esse desejo tão grande de estar grávida”, revela Maria de Fátima.

Artigo original: http://vidaeestilo.terra.com.br/fertilidade/noticias/0,,OI5860864-EI20143,00-Estresse+e+desejo+extremo+podem+causar+gravidez+psicologica.html